JAPURÁ – AM – Paróquia Nossa Senhora Aparecida

Prelazia de Tefé – AM – Norte I CNBB

À VONTADE COM DEUS

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Pe. José Antonio Pagola.                   Tradução: Antonio Manuel Álvarez Pérez

A cena é cativante. Cansado do caminho, Jesus senta-se junto ao manancial de Jacob. Rapidamente chega uma mulher a recolher água. Pertence a uma população meio pagã, desprezada pelos judeus. Com toda a espontaneidade, Jesus inicia o diálogo. Não sabe olhar para ninguém com desprezo, mas sim com grande ternura. “Mulher, dá-me de beber”.

A mulher fica surpreendida. Como se atreve a entrar em contacto com uma samaritana? Como se rebaixa a falar com uma mulher desconhecida? As palavras de Jesus surpreendem-na todavia mais: “Se conhecesses o dom de Deus e quem é que te pede de beber, serias tua a pedir-lhe, e Ele te daria da água da vida”.

São muitas as pessoas que, ao longo destes anos, se foram afastando de Deus, sem dar-se de conta do que realmente estava a ocorrer no seu interior. Hoje Deus é-lhes um “ser estranho”. Tudo o que está relacionado com Ele, parece-lhes vazio e sem sentido: um mundo infantil, cada vez mais afastado.

Entendo-os. Sei o que podem sentir. Também eu me fui afastando pouco a pouco daquele “Deus da minha infância” que despertava dentro de mim tantos medos, mal-estar e desconforto. Provavelmente, sem Jesus nunca me teria encontrado com um Deus que hoje é para mim um Mistério de bondade: uma presença amistosa e acolhedora em que posso confiar sempre.

Nunca me atraiu a tarefa de verificar a mina fé com provas científicas: creio que é um erro considerar o mistério de Deus como se fosse um objeto de laboratório. Tampouco os dogmas religiosos me ajudaram a encontrar-me com Deus. Simplesmente deixei-me conduzir por uma confiança em Jesus que foi crescendo com os anos.

Não saberia dizer exatamente como se sustenta hoje a mina fé no meio de uma crise religiosa que me sacode também a mim como a todos. Só diria que Jesus trouxe-me a viver a fé em Deus deforma simples do fundo do meu ser. Se eu escuto, Deus não me calo. Se eu me abro, Ele não se fecha. Se eu me confio, Ele me acolhe. Se eu me entrego, Ele me sustem. Se eu me afundo, Ele me levanta.

Creio que a experiência primeira e mais importante é encontramo-nos à vontade com Deus porque O percebemos como uma “presença salvadora”. Quando uma pessoa sabe o que é viver à vontade com Deus porque, apesar da nossa mediocridade, dos nossos erros e egoísmos, Ele nos acolhe tal como somos, e nos impulsiona a enfrentarmos a vida com paz, dificilmente abandonará a fé. Muitas pessoas estão hoje abandonando Deus antes de tê-Lo conhecido. Se conhecessem a experiência de Deus que Jesus contagia, procurá-lo-iam.

 

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