JAPURÁ – AM – Paróquia Nossa Senhora Aparecida

Prelazia de Tefé – AM – Norte I CNBB

A NOSSA GRANDE TENTAÇÃO

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Pe. José Antonio Pagola. Tradução: Antonio Manuel Álvarez Pérez
A cena “das tentações de Jesus” é um relato que não devemos interpretar com ligeireza. As tentações que se nos são descritas não são propriamente de natureza moral. O relato adverte-nos de que podemos arruinar a nossa vida, se nos desviamos do caminho que segue Jesus.
A primeira tentação é de importância decisiva, pois pode perverter e corromper nossa vida de base. Aparentemente, é oferecido a Jesus algo bem inocente e bom: colocar Deus ao serviço da Sua fome. “Se és o Filho de Deus, ordena que estas pedras se convertam em pães”.
No entanto, Jesus reagiu de forma rápida e surpreendente: “Não só de pão vive o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus”. Não fará do seu próprio pão, um absoluto. Não colocará Deus ao serviço do seu próprio interesse, esquecendo o projeto do Pai. Sempre procurará primeiro o reino de Deus e a sua justiça. Em todos os momentos escutará a Sua Palavra.
As nossas necessidades não ficam satisfeitas apenas com assegurar o nosso pão. O ser humano necessita e aspira a muito mais. Inclusive, para resgatar da fome e da miséria a quem não tem pão, temos de escutar a Deus, o nosso Pai, e despertar na nossa consciência a fome de justiça, a compaixão e a solidariedade.
A nossa grande tentação é hoje converter tudo a pão. Reduzir cada vez mais o horizonte da nossa vida à mera satisfação dos nossos desejos; fazer da obsessão por um bem-estar, sempre maior, o do consumismo indiscriminado e sem limites o ideal quase único das nossas vidas.
Enganamo-nos se pensamos que esse é o caminho a seguir em direção ao progresso e à libertação. Será que não estamos a ver que uma sociedade que arrasta as pessoas para o consumismo sem limites e para a autossatisfação, não faz senão gerar vazio e sem sentido nas pessoas, e egoísmo, falta de solidariedade e irresponsabilidade na convivência?
Por que estremecemos que aumente de forma trágica o número de pessoas que se suicidam cada dia? Por que continuamos encerrados no nosso falso bem-estar, levantando barreiras cada vez mais desumanas para que os famintos não entrem nos nossos países, não cheguem até às nossas residências nem chamem à nossa porta?
A chamada de Jesus pode-nos ajudar a tomar mais consciência de que não só de bem-estar vive o homem. O ser humano necessita também de cultivar o espírito, conhecer o amor e a amizade, desenvolver a solidariedade para com os que sofrem, escutar a sua consciência com responsabilidade, abrir-se ao Mistério último da vida com esperança.

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