JAPURÁ – AM – Paróquia Nossa Senhora Aparecida

Prelazia de Tefé – AM – Norte I CNBB

Mostramos com a vida que somos filhos/as de Deus?

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Jesus nos apresenta um caminho inusitado mas seguro para  felicidade,  para a plena realização das aspirações humanas mais profundas, para a santidade. Trata-se de buscar a perfeição ou o jeito de ser do próprio Deus, evitando a tentação de construir uma idéia de Deus à nossa imagem e semelhança, delimitado pelos nossos medos e interesses. Embora este caminho nos pareça um pouco estranho e dissonante, o próprio Jesus o viveu em primeira pessoa.

No evangelho de hoje Jesus começa respondendo à nossa pergunta sobre ‘como reagir frente às situações de violência e seus agentes’? Ele conhecia bem a lei judaica que, para limitar uma violência reativa e desproporcional à violência sofrida, propunha não passar do “olho por olho” e do “dente por dente”. Mas Jesus nos surpreende apontando os limites deste preceito: pagar com a mesma moeda não erradica a violência que ofende, machuca e mata.

Jesus pede para não reagirmos com violência à ação dos violentos. Mas vai adiante, ilustrando e concretizando sua proposta de não-violência ativa em três situações: o tapa na cara, ato de humilhação considerado um direito dos superiores; o processo de penhora da roupa de um pobre endividado, visto como direito dos credores; a obrigação de acompanhar a marcha dos soldados imperiais, carregando às costas as armas que se voltavam contra o próprio povo.

A proposta de Jesus não tem nada de submissão passividade. Oferecer a outra face significa permanecer senhor de si e desafiar a legalidade de um sistema projetado para humilhar. Dar o manto a quem penhora a túnica (desnudar-se publicamente) significa revelar a humanidade que a todos irmana e  denunciar a avareza dos credores. Caminhar o dobro do que o soldado determinou significa não aceitar o jogo do império, questionar a hierarquia, tomar a iniciativa e decidir a ação.

O caminho proposto por Jesus tem como meta eliminar o círculo vicioso que liga as ações e reações violentas. O fato é que sempre classificamos as pessoas e dividimos o mundo em amigos e inimigos, amamos e respeitamos os que estão próximos e alimentamos suspeitas e somos indiferentes em relação aos estranhos. É aqui que entra o mandamento de Jesus: nosso amor não pode ser restritos aos iguais, aos próximos, mas deve chegar aos estranhos e distantes, até aos inimigos.

Sabemos que a figura do próximo abrange uma certa diversidade de gênero, riqueza, parentesco e etnia, e que a imagem do inimigo não se limita aos adversários nacionais ou aos membros de outras religiões, mas se estende aos oponentes pessoais e até à gente da própria família. Hoje colocaríamos entre os inimigos (reais ou potenciais) as pessoas e grupos que ameaçam nosso bem-estar e nossos privilégios ou questionam nossa supremacia em termos de competência, gênero, religião, cultura, etc.

Pedindo que amemos nossos inimigos e até rezemos por aqueles que nos perseguem, Jesus está sublinhando que condição social, a etnia, o gênero e a religião não podem ser limites que restringem o dinamismo do nosso amor. O amor entre os iguais pode ser egoísmo! Mas o próprio Jesus mostra que este amor não é sinônimo de gentileza nem isento de conflitos. Rezar por quem nos persegue significa também clamar pelo fim da opressão e das estruturas que as sustentam!

Jesus resume sua proposta ética e espiritual numa frase:  “Sejam perfeitos como o vosso Pai celeste é perfeito.” A perfeição do Pai faz com que a chuva beneficie tanto os justos como os injustos e o sol ilumine tanto os bons quanto os maus. Ser perfeito/a como o Pai celeste significa não impor condições nem ter reservas, ser inteiro/a e verdadeiro/a em tudo e com todos/as, pois, como nos lembra Paulo, todos – nós, os outros, a comunidade eclesial e a comunidade humana! – somos templos do Espírito Santo.

Jesus, mestre e servidor da liberdade, de todas as liberdades: ajuda tua Igreja a vencer o terrível medo da liberdade e da verdade que viveste e ofereceste a todos/as. Faz que nossas comunidades sejam laboratórios nos quais as pessoas de boa vontade se exercitem no respeito e na promoção da dignidade de todos os teus filhos e filhas, inclusive no amor aos inimigos. E dá-nos a sábia loucura que espanta os doutores mas seduz as pessoas que não sacrificaram sua humanidade no altar do egoísmo predatório. Queremos ser filhos/as do Pai celeste! Assim seja! Amém!

Pe. Itacir Brassiani msf

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