JAPURÁ – AM – Paróquia Nossa Senhora Aparecida

Prelazia de Tefé – AM – Norte I CNBB

DECISÃO DE CADA UM

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Pe. José Antonio Pagola.       Tradução: Antonio Manuel Álvarez Pérez

Jesus não se dedicou a falar muito da vida eterna. Não pretende enganar a ninguém fazendo descrições fantasiosas da vida para lá da morte. No entanto, toda a Sua vida desperta esperança. Vive aliviando o sofrimento e libertando do medo as pessoas. Contagia uma confiança total em Deus. A Sua paixão é fazer a vida mais humana e ditosa para todos, tal como a quer o Pai de todos.

Só quando um grupo de saduceus se aproxima com a ideia de ridiculizar a fé na ressurreição, a Jesus lhe brota do seu coração crente a convicção que sustem e alenta toda a Sua vida: Deus “não é um Deus de mortos, mas de vivos, porque para Ele todos são vivos”.

A Sua fé é simples. É verdade que nós choramos os nossos entes queridos porque, ao morrer, os perdemos aqui na terra, mas Jesus não pode nem imaginar-se que a Deus lhe vão morrendo esses Seus filhos que tanto ama. Não pode ser. Deus partilha a Sua vida com eles porque os acolheu no Seu amor insondável.

O traço mais preocupante do nosso tempo é a crise de esperança. Perdemos o horizonte de um Futuro último e as pequenas esperanças desta vida não chegam para nos consolar. Este vazio de esperança gera em muitos a perda de confiança na vida. Nada merece a pena. É fácil então o niilismo total.

Nestes tempos de desespero, será que não nos estão pedindo a todos, crentes e não crentes, para fazermos as preguntas mais radicais que levamos dentro de nós? Esse Deus de muitos duvidam, a que bastantes abandonaram e por quem muitos continuam a preguntar, não será o fundamento último em que podemos apoiar a nossa confiança radical na vida? No fim de todos os caminhos, no fundo de todos dos nossos desejos, no interior das nossas interrogações e lutas, não estará Deus como Mistério último da salvação que andamos a procurar?

A fé está a ficar aí, num canto do nosso interior, como algo pouco importante, que não merece a pena cuidar já nestes tempos. Será assim? Certamente não é fácil acreditar, e é difícil não acreditar. Entretanto, o mistério último da vida pede-nos uma resposta lúcida e responsável.

Esta resposta é decisão de cada um. Quero apagar da mina vida toda a esperança última mais além da morte como uma falsa ilusão que não nos ajuda a viver? Quero permanecer aberto ao Mistério último da existência confiando que ali encontraremos a resposta, o acolhimento e a plenitude que andamos a procurar já desde agora?

 

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