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FESTA DE SANTA TERESA

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HOMILIA DE PE. ANTÔNIO GRUYTERS

FESTA DE SANTA TERESA

Irmãos e Irmãs na fé e na devoção!

Somos cristãos. Cremos que Deus se fez carne e habitou entre nós e que seu  Nome é Jesus. Se quisermos encontrar Deus, vamos a Jesus. Se quisermos ser cristãos, sejamos de Jesus. Basta isso.

Em 1571, Teresa renunciou ao nome de Teresa de Ahumada e ficou apenas com o de “Teresa de Jesus”. Nessa mulher original, Deus pôde existir e agir como em Jesus: deus, do jeito de Teresa.

Ainda criança, Teresa começou a buscar a verdade de si mesma. Ela queria viver “desenganada”.  Humildade era para ela: viver na verdade de si mesma, diante de Deus. Ninguém pode ter experiência de Deus, ninguém pode ser de Jesus, quando vive fora de si mesmo, com a alma colada aos objetos do desejo, e ocupada pelos ruídos do mundo.

Teresa chegou à Morada mais íntima dentro dela, a morada de Deus.

A sua peregrinação de Morada em Morada, em busca da verdade de si mesma, deu origem  às suas viagens  pela Espanha, em carroças ou em lombo de mula, em qualquer tempo e qualquer condição física, a  fim de fundar e acompanhar os 17 mosteiros do Carmelo reformado.  E o Senhor lhe repetia: Aguenta firme, Teresa!” e firme ela aguentava tudo até que um câncer de útero a levou à morte no Convento de Alba, em 4 de outubro de 1582.

Sentimos a esterilidade de nossas catequeses e pregações. Pelejamos com sombras de morte. Como tocar o coração das pessoas com a alegria do Evangelho? Quando entregaremos a Jesus perdidamente a direção de nossas vidas?  Se o fizéssemos, encontraríamos a perfeita liberdade, a alegria invencível – como irradiava Teresa de Jesus… por ser de Jesus.

Teresa, ainda mocinha, bonita, inteligente, extrovertida, se preocupava com a pergunta: Qual é a vida que Deus quer para mim? O que será de mim?

Essa pergunta ficou mais urgente quando ela perdeu a mãe, aos 13 anos de idade. O pai viúvo colocou-a num convento agostiniano para que ela aprendesse com as freiras as prendas domésticas e ficasse  distante dos namoricos já à espreita.

Como chegar à verdade de si mesma? De um lado, a atração de uma vida na alta sociedade, doutro lado, a vida de renúncia e oração no convento. Será que ela devia ser como sua falecida mãe, que morreu aos 33 anos, depois de ter posto no mundo 10 filhos? Será que ela devia ser uma “perfeita casada”, subordinada ao marido, sem liberdade? Ou devia ela optar por ser monja, deixando tudo e aventurando-se numa busca de Deus? Perdidamente…

Teresa, apesar da aversão que ela sentia inicialmente, optou pela Vida Religiosa. O pai concordou, mas só depois de ele morto. Por isso, aos 20 anos, Teresa fugiu de casa, com imensa pena porque amava muito o pai, e apresentou-se, já maior de idade, ao Mosteiro da Encarnação, das Monjas Carmelitas.

Teresa se tornou monja e lançou-se com todas  as forças nessa vida de oração e trabalhos. Logo adoeceu: era a febre de Malta, uma brucelose causada pelo consumo de leite de cabra.  Durante 3 anos ela ficou prostrada e nunca mais teria boa saúde. Chegou a ser dada como morta e rezaram missa por sua alma. Teria sido enterrada, não fosse a resistência do pai: essa filha não era para ser enterrada!

Logo depois, Teresa saiu do coma e aos poucos recuperou um mínimo de saúde física. O mínimo que lhe bastava. Durante mais de 20 anos, ela crescia na vida contemplativa e na própria conversão para se tornar finalmente Teresa de Jesus.

Vinte anos de purificação! Hoje, de uma hora para outra, as pessoas se consideram cheias do Espírito Santo, se exaltam, falam em línguas e operam milagres. Só pode ser palhaçada. Santa Teresa anotou que ela, quando tinha 40 anos, recebeu de Deus a graça da libertação interior, que ela há tanto tempo havia desejado e buscado na sua vida de oração.

Por causa dos fenômenos extraordinários que aconteciam nela durante a oração, surgia o fuxico entre outras monjas, os padres e outros moradores de Ávila: “Só podia ser o demônio”. Certamente seria ilusão de mulher. Pois, mulher não dá para contemplação. As mulheres deviam rezar o terço e se ocupar com a fiação e o bordado. Teresa seria uma impostora, uma enganada pelo diabo.

Muito ela sofria. Ninguém a compreendia. Nenhum confessor conhecia por experiência a oração de união com Deus. As coisas pioravam ainda mais, quando Teresa começou a construir o primeiro convento do Carmelo reformado. O que ela pensava ser?!

Ela escreveu: “Fiquei sozinha, sem ter com quem desabafar, sem poder rezar ou ler, como aterrada por tanta tribulação, com temor de ser enganada pelo demônio, muito agitada e muito aflita, sem saber o que iria ser de mim. Cheguei a temer que não houvesse com quem me confessar e que todos fugissem de mim. Não fazia senão chorar”.

Aguenta firme, Teresa!

E era o que ela fazia. Mais tarde ela concluiu: “Tenho por certo que Deus nunca abandonará os que O amam e que só por Ele se aventurarem”.

Teresa só de Jesus. Entregou tudo, e recebeu tudo, infinitamente multiplicado. Ela diz: “O Senhor nos dá os seus dons de acordo com o nosso desejo e a nossa entrega”. Portanto, aos indiferentes, aos medíocres, aos indecisos, aos egoístas e aos desonestos consigo mesmos, Deus não pode dar nada. “Deus se dá verdadeiramente àqueles que abandonam tudo por Ele; e quem pouco oferece, pouco vai receber” Infelizmente, somos tão mesquinhos e demoramos tanto para dar-nos inteiramente a Deus. A vida passa, Deus está aí e nós o mantemos a uma distância segura. Temos medo dos comentários, temos medo das consequências de uma opção dessas, temos medo do Amor de Deus que nos arranca de tudo a que estamos apegados.  E assim pretendemos servir a Deus e às coisas do mundo: a honras, os prazeres, a riqueza, o eu superficial. Não pode dar certo. Em vez de amar perdidamente, nos perdemos. Como a lagartixa(bicho de seda), Teresa se dedicou pacientemente ao trabalho de tecer o seu casulo, a sua morada de união com o divino Esposo. Então veio o momento em que a lagartinha se transformou numa linda borboleta e começou a voar, livre, livre, aonde o vento a levasse.

As moças que são recebidas nos Carmelos reformados não precisavam levar dote. O único dote é o desejo de alcançar a perfeição evangélica e a determinação de se lançar em busca dela. Como ela diz: “Deus ajuda aqueles que por Ele se atrevem muito”. Por isso Teresa era considerada por homens importantes uma “mulher atrevida”: atrevida por Deus.

A perfeição cristã é deixar-se amar por Deus e transmitir esse amor aos outros. O amor gera amor. Ela diz: “Se um dia o Senhor imprimir esse amor em nossos corações, tudo nos será fácil e realizaremos os maiores  progressos em pouquíssimo tempo”. Quanto maior o amor de Deus em nossos corações, tanto maior a nossa capacidade de carregar a cruz.  Aguenta firme, Teresa! Aí, o Senhor vem e Ele traz consigo a perfeita liberdade, a perfeita alegria. Teresa diz:  “Não há razão que baste para me impor limites, e nada me segura quando o Senhor me põe fora de mim. Sejamos todos loucos por amor Daquele que por nós assim quis ser chamado”.

Por isso, ela se impacientava com as pregações apagadas de muitos padres, enquanto ela mesma, sendo mulher, tinha de ficar calada. Ela diz: “Sabe o que me parece? É que tem demasiada prudência os que pregam. Não estão fora de si com o grande fogo do amor de Deus”.

Eis o problema dos pregadores: neles, o amor de Deus ficou mera ideia, não passou da cabeça ao coração. A teologia é impressionante, mas é incapaz de dar vida.

É assim que Teresa se tornou essa mulher contemplativa e ativa que admiramos. Sentada sempre aos pés do Mestre como Maria, percorria o mundo servindo como Marta.  Mulher lúcida, decidida, honesta que era de Jesus como Jesus era dela. Nada a perturbava: Só Deus lhe bastava.

Cobravam dela compostura e censuravam-lhe o atrevimento. Mas ela pensava que era exatamente essa preocupação com compostura que fazia mal à Igreja.

O grande escândalo não eram os frades nos bordéis e sim, que a Igreja, conhecendo o amor de Deus, tendo nas mãos o Evangelho e tendo à disposição o Espírito Santo, continuasse vivendo segundo a lógica do mundo, a lógica dos interesses, das honrarias, do ouro, das teologias sem laivo místico. O amor não é amado: eis o problema.

Jeitosa e sábia, Teresa fez o que estava ao seu alcance para reformar a cristandade. Fraca de corpo, forte de espírito; radical e equilibrada; séria e com infalível senso de humor; ela vencia os esquemas machistas e convencionais a partir de sua rica personalidade e da fonte viva do Amor de Deus, a borbulhar dentro dela. Grande educadora e mestra espiritual, ela tirava da própria experiência o que ensinava. Para ela, a vida só vale a pena quando nela se ama muito.

No dia 28 de março de 2015 celebraremos os 500 anos do nascimento dessa mulher encantadora que era “de Jesus”. Sejamos de Jesus, como ela – aventurando-se por Ele e encontrando  a perfeita alegria.

Canto: “Em ti eu quero crer, amar até morrer, servir-te na alegria e na dor! Pois ao entardecer do meu mortal viver, serei julgado pelo amor”

                                                                                                                             Tefé, 15 de outubro de 2013

                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                 Pe. Antônio Gruyters CSSp

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