JAPURÁ – AM – Paróquia Nossa Senhora Aparecida

Prelazia de Tefé – AM – Norte I CNBB

Todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar…”

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Espírito Santo: Sopro divino que faz novas todas as coisas!

(At 2,1-11; Sl 103/104; 1Cor 12,3-7.12-13; Jo 14,15-16.23-26)

Depois de um percurso que durou sete semanas, marcado por descobertas e encontros com o Senhor ressuscitado, chegamos à celebração de Pentecostes. O recebimento do Espírito Santo é a culminância da experiência pascal.  Como a comunidade apostólica reunida em Jerusalém, reunimo-nos e pedimos que o Espírito renove em nós os prodígios que realizou no início do cristianismo, esperando que o Sopro de Deus nos dê respiro e vida, nos ajude a testemunhar e anunciar o Reino de Deus na língua das diversas culturas, derrube os muros que nossos medos e prepotências ergueram, abra as portas das nossas Igrejas sitiadas pelas leis e dogmas e nos empurre para fora, em ritmo de missão. O Espírito Santo é essencialmente dom, presença e força vital de Deus nas suas criaturas e nos caminhos da história. Ele suscita e sustenta a comunhão entre o Pai e o Filho; possibilita e mantém a comunhão dos cristãos entre si e com Cristo; abre todas as criaturas para a interdependência e a colaboração.

“Todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar…”

O Espírito Santo impede que os cristãos sejam  papagaios que repetem discursos que não entendem. Um dos primeiros frutos da ação do Espírito Santo nas pessoas e comunidades é a palavra. Com a força do Espírito as pessoas caladas vencem o medo e começam a falar. Trata-se antes de tudo da palavra de protesto que sai da boca dos marginalizados, um clamor que reivindica reconhecimento e respeito à própria dingidade. É também uma palavra profética: denuncia as injustiças praticadas contra os oprimidos, anuncia teimosamente uma nova ordem social e rompe com as velhas lições e os discursos repetitivos de quem perdeu a identidade e se acostumou a ser uma espécie de papagaio.

Mas o Espírito suscita também uma palavra orante e celebrativa, um cântico novo que reconhece e louva a ação libertadora de Deus no coração das pessoas e da história. Esta palavra é despertada por uma compreensão existencial das Escrituras, não mais consideradas coisa do passado ou simples doutrina, mas Palavra viva e plena de sentido, orientação e interpelação para os homens e mulheres de hoje. Esta palavra nova suscitada pelo Espírito assume a gramática das diversas culturas e anuncia o Reino de Deus de tal modo que os diversos povos possam compreender no seu próprio horizonte cultural. “Todos ouviam na sua própria língua…”

 “Fomos batizados num só Espírito, para formarmos um só corpo…”

O Espírito nos livra da ameaça de sermos fragmentos desarticulados, perdidos no tempo e no espaço. Uma segunda expressão da presença do Espírito Santo no mundo e nas pessoas são os vínculos de amor, amizade e solidariedade. Onde o Espírito age e é acolhido as pessoas isoladas se reúnem, os membros formam um corpo, um povo novo se dá as mãos e caminha. Cria-se uma comunhão que transcende os indivíduos e se estende às coletividades humanas, organizações sociais e a todas as criaturas.

A força do Espírito une pessoas e as gerações diferentes numa unidade familiar, étnica e nacional. Mas esta comunhão se amplia e reúne as diversas pessoas e diferentes culturas numa comunidade eclesial, centrada na memória e na missão de Jesus de Nazaré. É uma comunhão que vai além das fronteiras de família, de etnia e de nação, um tecido costurado pela intuição de uma dignidade afirmada e de uma missão compartilhada. A diversidade dos membros não é apenas tolerada, mas defendida e celebrada.

O dinamismo de comunhão suscitado pelo Espírito também aproxima e articula as diferentes comunidades cristãs e religiões. A diversidade de religiões e Igrejas cristãs não é apenas fruto dos limites e pecados da humanidade, mas também expressão plural do único Mistério de Deus que se autocomunica respeitando a diversidade humana. O mesmo e único Espírito está na nascente dos diferentes movimentos religiosos e os empurra para o diálogo ecumênico e inter-religioso. “Cada um recebeu o dom de manifestar o Espírito para a utilidade de todos.”

“Ele vos dará um outro Defensor, que ficará para sempre convosco.”

A presença do Espírito Santo é força que nos livra do risco de ser sempre e apenas escravos, indivíduos que reproduzem sob pressão e por medo as ações determinadas pelos senhores. A experiência do Espírito Santo nos faz pessoas livres, capazes de agir por iniciativa própria. Aos macacos fica bem a imitação e a repetição, mas não aos filhos e filhas de Deus e às comunidades cristãs! O Defensor nos é dado para superar a condição de escravos e alcançar a condição de filhos e filhas maiores, livres de todas as  tutelas, herdeiros/as do Reino de Deus. Onde está o Espírito, ali está a liberdade!

Esta liberdade não é apenas ‘liberdade de’ algo que oprime mas ‘liberdade para’ alguma coisa nova. O Espírito nos faz livres da dependência das forças da natureza, dos condicionamentos inconscientes, do poder de persuasão dos meios de comunicação social, do constrangimento das instituições e sistemas políticos, econômicos, culturais e religiosos… Porém, ele é um Defensor que nos assegura a liberdade radical e nos possibilita agir sem medos e restrições em favor da vida dos outros, em vista da criação de uma realidade social nova, baseada na paz, na liberdade, na participação, na cooperação e na solidariedade. Envia teu Espírito, Senhor, e renova a face da terra!

“Ele vos ensinará tudo e vos recordará tudo o que eu vos tenho dito.”

O Espírito impede que os cristãos sejam uma espécie de macacos, que só conseguem imitar os os gestos e ações dos outros. Suscitando a palavra, criando comunhão, gerando pessoas livres, o Espírito Santo nos é dado também para agir. O ser humano se define pela ação, e a morte é o fim absoluto da ação. Viver é agir de forma livre e comunitária, na perspectiva de transformar as relações sociais, no sentido de criar novas relações humanas. Paulo diz que as ações são diferentes, mas a origem é o único Deus.

O Espírito Santo não se coaduna com os sistemas que impõem silêncios obsequiosos, com o individualismo narcisista, com a submissão medrosa e com a passividade omissa. Ele é a força de ação de Deus na história e a força da ação libertadora de Jesus Cristo. Aos cristãos ele é enviado como dinamismo missionário, como capacidade de agir no plano do homem novo: partilhar o pão, curar as doenças, perdoar e acolher os/as pecadores/as, anunciar a Boa Notícia aos pobres, percorrer o êxodo missionário. “Envias teu Espírito e assim renovas a face da terra..:”

Vivendo no amor fraterno e solidário, os discípulos e discípulas se tornam a casa ou o templo de Deus e são enviados/as por Jesus Cristo com o ‘sopro’ do Espírito para, como ele, superar e eliminar as práticas de dominação em si mesmos e nas instituições sociais, políticas e religiosas. E isso sem preguiça e com sentido de urgência, sem deixar as coisas para depois, pois as injustiças que não forem capazes de vencer continuarão produzindo seus frutos amargos. Viver o mandamento do amor significa afirmar a liberdade e a dignidade das pessoas. Por isso, nada de portas fechadas nem de braços cruzados!

“Envias teu Espírito e todos vivem…”

Ser livre para falar, amar e agir significa viver realmente. Quem não é livre, não diz sua palavra, não é capaz de ser solidário e não se engaja na transformação do mundo é um cadáver e não uma pessoa. Suscitando e sustentando a vida e o dom de si, o Espírito Santo é dinamismo que impede que sejamos como cadáveres. Mais que simples iluminação e consolo, o Espírito é força que gera pessoas novas no amor e na lealdade, é princípio vital que sustenta e orienta a continuidade da missão de Jesus Cristo.

Viver é mais que não estar morto. É abrir as portas e janelas fechadas pelo medo frente ao ambiente hostil, estabelecer e manter um intercâmbio permanente com as outras criaturas do reino mineral, vegetal, animal e humano; dos diversos grupos humanos, povos, culturas, igrejas e religiões. Como nos ecossistemas dentro dos quais um ser vivo que corta as relações com o seu meio se auto-condena à morte, assim também acontece na sociedade e na vida espiritual. Viver é também possibilitar a vida, dar vida, dar a própria vida.

Vem Espírito Santo, faz em nós tua morada e suscita em nós o desejo e a capacidade de ser dom, de se engajar na luta para que todos tenham vida, mesmo que isso nos leve a perder a vida. Não permitas que te aprisionemos na intimidade do coração ou no silêncio dos templos! Faz com que nossa vida pessoal e eclesial seja semente de liberdade, de solidariedade e de eternidade. Que o Messias, o Filho do Homem ungido por ti, Aquele vive porque deu a vida, seja o Caminho que percorremos, a Verdade que acolhemos e a Vida que aspiramos ardentemente e promovemos generosamente. Assim seja! Amém!

Pe. Itacir Brassiani msf

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