JAPURÁ – AM – Paróquia Nossa Senhora Aparecida

Prelazia de Tefé – AM – Norte I CNBB

INTRODUZIR VERDADE

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Pe. José Antonio Pagola.     Tradução: Antonio Manuel Álvarez Pérez

O julgamento contra Jesus teve lugar provavelmente no palácio em que residia Pilatos quando ia a Jerusalém. Ali se encontram uma manhã de abril do ano trinta um reu indefenso chamado Jesus e o representante do poderoso sistema imperial de Roma.

O evangelho de João relata o diálogo entre ambos. Na realidade, mais do que um interrogatório, parece um discurso de Jesus para esclarecer alguns temas que interessam muito ao evangelista. Num determinado momento Jesus faz esta solene proclamação: “Eu para isto vim ao mundo: para ser testemunha da verdade. Todo aquele que é da verdade, escuta a Minha voz”.

Esta afirmação recolhe um rasgo básico que define a trajetória profética de Jesus: a Sua vontade de viver na verdade de Deus. Jesus não só diz a verdade, como procura a verdade e só a verdade de um Deus que quer um mundo mais humano para todos os Seus filhos e filhas.

Por isso, Jesus fala com autoridade, mas sem falsos autoritarismos. Fala com sinceridade, mas sem dogmatismos. Não fala como os fanáticos que procuram impor a sua verdade. Tampouco como os funcionários que a defendem por obrigação mesmo não acreditando nela. Não se sente nunca guardião da verdade mas testemunha.

Jesus não converte a verdade de Deus em propaganda. Não a utiliza em proveito própria mas em defesa dos pobres. Não tolera a mentira ou o encobrimento das injustiças. Não suporta as manipulações. Jesus converte-se assim em “voz dos sem voz, e voz contra os que têm demasiada voz” (Jon Sobrino).

Esta voz é mais necessária que nunca nesta sociedade presa numa grave crise económica. A ocultação da verdade é um dos mais firmes pressupostos da ação dos grandes poderes financeiros e da gestão política submetida às suas exigências. Quer-nos fazer viver a crise na mentira.

Faz-se todo o possível para ocultar a responsabilidade dos principais causadores da crise e ignora-se de forma perversa o sofrimento das vítimas mais débeis e indefesas. É urgente humanizar a crise pondo no centro das atenções a verdade dos que sofrem e a atenção prioritária à sua situação cada vez mais grave.

É a primeira verdade exigível a todos se não queremos ser desumanos. O primeiro dado prévio a tudo. Não nos podemos habituar à exclusão social e ao desespero em que estão a cair os mais débeis. Quem segue Jesus tem de escutar a Sua voz e sair instintivamente em Sua defesa e ajuda. Quem é pela verdade escuta a Sua voz.

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