JAPURÁ – AM – Paróquia Nossa Senhora Aparecida

Prelazia de Tefé – AM – Norte I CNBB

Não só na montanha e nem só na planície .

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Dom Enemésio Ângelo Lazzaris – Bispo de Balsas (MA)
“A CPT quer ser uma presença solidária, ecumênica e afetiva que presta um serviço educativo e transformador junto aos povos da terra e das águas para estimular e reforçar seu protagonismo”.
O recente falecimento de Dom Ladislau Biernaski, Presidente da CPT a já próxima Assembleia Nacional da entidade, que acontecerá em Hidrolândia-GO, de 28 a 30 de março e a minha ida a Manaus me levaram a fazer esta reflexão.Encontro-me em Manaus a serviço da Comissão Pastoral da Terra, em companhia do Pe. Dirceu Fumagalli que com outros 5 companheiros formam a equipe de coordenação nacional da CPT.
Como a CNBB – Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, também a CPT é dividida em regionais e este regional é um dos principais, pois dele fazem parte 11 equipes, que são a de Manaus, Lábrea, Canutama, Tapauá, Humaitá, Tabatinga, Tonantins, Tefé, Tefé-Caiambé, Maués, Itacoatiara e Barreirinha.

O objetivo da nossa viagem foi participar da reunião do Conselho do Regional formado pela coordenação e pelos representantes das várias equipes, a fim de inteirar-nos da caminhada das várias equipes e orientar a transição da velha para a nova coordenação. Como era a primeira vez que eu visitava aquele regional devo dizer que além de ter sido um encontro muito proveitoso, inclusive para conhecer novas lideranças, foi muito útil também para perceber o quanto bem faz a CPT em favor dos ribeirinhos, dos pescadores, dos posseiros, dos indígenas, enfim dos camponeses que lutam sem trégua por um pedaço de chão naquela imensa Amazônia.
Foi dom Xavier Gilles bispo de Viana e atualmente emérito, que, quando presidente da CPT, ainda no final de 2008 me fez o convite para fazer parte da coordenação nacional; após consultar várias pessoas, entre elas alguns bispos do Maranhão e mesmo sabendo do desafio que me esperava, aceitei o convite e em abril de 2009 fui confirmado como vice presidente para fazer parte da equipe que iria conduzir a CPT durante 3 anos.
Conversando aqui, acolá, com um, com outro tenho sempre percebido como são poucos aqueles que assumem estas pastorais de fronteira e como estes novos desafios nos fazem bem, nos rejuvenesce, pois nos obrigam a estar constantemente abertos e atentos aos frequentes gritos dos pobres, dos oprimidos e dos injustiçados desta terra e deste imenso Maranhão.
Destas pastorais de fronteira fazem parte, sobretudo as pastorais sociais que, no fundo, alimentam a dimensão profética dos discípulos e missionários da Igreja, dando-lhe mais visibilidade e garantindo a sua samaritanidade.Num contexto em que os movimentos populares perderam sua força, os sindicatos estão congelados e as consciências amortecidas são mais do que necessário que, sobretudo os cristãos sejam mais combativos e estejam atentos aos clamores dos pobres gritando por justiça e dignidade. Precisamos todos, como diz a missão da CPT, ser fieis ao Deus dos pobres e aos pobres da terra.
No fundo precisamos ser mais fieis ao projeto de Jesus que no seu ministério sempre agiu no sentido de libertar o homem na sua totalidade, não só dos males da alma, do espírito, mas também do corpo.
Dentro desse contexto e para compreender melhor o que estou dizendo gostaria de transcrever as palavras que no dia 15 de fevereiro, em nome da CPT, por ocasião do funeral de Dom Ladislau, na Catedral de São José dos Pinhais-PR, eu dirigi aos presentes:
“Saúdo todos os senhores e senhoras aqui presentes e na pessoa de Dom Rafael Biernaski, primo de Dom Ladislau, todos seus parentes com os quais partilhamos este momento de dor e de esperança.
Conheci Dom Ladislau nos últimos meses de 2008, em Goiânia e, em abril de 2009, assumimos junto à presidência da CPT.
Em nome da Comissão 8 da CNBB, que trata da caridade, justiça e paz e da Comissão Pastoral da Terra da qual Dom Ladislau era presidente, agradeço a Deus pela capacidade que este incansável pastor teve de fazer das pastorais um verdadeiro púlpito de evangelização. Sua militância profética fez com que ele percebesse a necessidade de equilibrar a presença do pastor dentro dos muros e fora deles. Sua sensibilidade fez com que ele assumisse o grito dos excluídos nas pessoas dos sem terra, dos acampados, dos assentados, dos menores e de tantos irmãos e irmãs que vivem à margem da sociedade.
Dom Ladislau, muito obrigado por tudo e que no céu Deus o recompense por tudo o que fez por nós. “Junto de Deus interceda por nós.”
Ao mesmo tempo em que peço desculpas pela minha constante ausência da diocese e agradeço a compreensão, sobretudo dos padres, peço ao Espírito Santo de Deus que inspire corações generosos que sejam capazes de assumir com coragem no Brasil, no Maranhão e na diocese de Balsas a luta e a defesa de tantos empobrecidos.

E para terminar tenhamos certeza como diz Mateus no capítulo 25 do seu evangelho que o Senhor, justo juiz, um dia nos dirá: “vinde benditos de meu Pai”, pois eu era um sem terra e vocês me arrumaram um pedaço de chão, me socorreram e me defenderam quando fui despejado, arrumaram um advogado para mim, me acompanharam quando eu era um assentado, cuidaram de mim quando os grileiros invadiram minha terra, quando me defenderam e lutaram por minha causa diante do judiciário, tantas vezes impiedoso e surdo aos clamores dos mais necessitados.

Concluo esta minha reflexão convocando todos(as) vocês meus irmãos e minhas irmãs a se esforçarem para equilibrar a vida cristã numa constante dimânica e dialética entre fé e vida, ação e oração. Não só na montanha e nem só na planície.
Faço votos que o Espírito de Deus nos conduza sempre nessa direção.
A todos(as) meu abraço e minha bênção.

http://www.cnbb.org.br/site/articulistas/dom-enemesio-lazzaris/8842-nao-so-na-montanha-e-nem-so-na-planicie

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